Gravidez pode afetar o normal funcionamento da visão
Por ocasião do Dia das Mães, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia
(SPO), lembra, em comunicado de imprensa, que todas as futuras mães
devem ter particular atenção à sua saúde ocular pois as alterações do
metabolismo geral, do perfil hormonal e da circulação que acontecem
durante a gravidez podem afetar o normal funcionamento da visão.
Isabel Prieto, membro da direção da SPO, explica que “são essencialmente
três os tipos de alterações que podem acontecer no aparelho visual
durante a gravidez: alterações fisiológicas relacionadas com a gravidez
como a diminuição da sensibilidade e aumento da espessura da córnea por
edema, diminuição da pressão intraocular, alterações do campo visual e
alterações transitórias na focagem. Estas transformações podem
condicionar curtos episódios de visão turva e sensação de olho seco, e
que revertem no fim da gravidez ou após o período de amamentação”.
“Em segundo lugar vêm as doenças com envolvimento ocular relacionadas
com a gravidez como a toxemia gravídica e determinadas doenças
vasculares oclusivas que podem ter repercussões visuais que vão desde
queixas ligeiras até perdas graves de visão. A recuperação pode ser
completa após a gravidez ou podem persistir sequelas graves com déficit
visual grave, refere a especialista. “E, finalmente, temos as doenças
pré-existentes com envolvimento ocular, suscetíveis de se agravar com a
gravidez, como a diabetes, cujas complicações podem deixar sequelas com
perda visual de gravidade muito variável”.
“Já a variação da curvatura e da espessura da córnea devido à retenção
de líquidos, pode ocasionar discreta alteração na graduação ocular e
intolerância às lentes de contato mas que tendem a reverter após o
restabelecimento do perfil hormonal”, afirma Isabel Prieto.
A oftalmologista ressalta que “a maternidade é um período em que a
mulher não pode ignorar a sua própria saúde, na qual se inclui a sua
visão. Os cuidados e a prevenção devem começar antes do início da
gravidez. Todas as mulheres devem fazer um “check-up ”completo antes de
engravidar. Devem certificar-se de que estão de boa saúde e de que não
têm doenças ou alterações suscetíveis de se complicarem durante a
gravidez”.
“Se existirem alterações que possam complicar-se durante a gestação, a
mulher deve garantir um bom controle da sua saúde, o que é
particularmente importante nas grávidas diabéticas. Todas as diabéticas
devem ter um exame oftalmológico inicial no primeiro trimestre e o
seguimento depende da evolução da doença sistêmica e ocular durante a
gravidez. Mesmo nos casos em que não há retinopatia diabética deve se
fazer, no mínimo, um exame oftalmológico no primeiro trimestre e um novo
exame no terceiro trimestre para monitorizar qualquer alteração”,
defende Isabel Prieto, que deixa também alguns conselhos. “As mulheres
grávidas devem ter uma alimentação saudável, incluindo suplementos
vitamínicos e minerais, fazer exercício moderado, realizar um bom
controle do metabolismo e do peso e fazer rastreio e vigilância de
alterações ou doenças sistêmicas capazes de agravar e/ou provocar
alterações oculares durante a gravidez”.
A SPO recomenda a todas as mulheres a visita regular ao oftalmologista
sobretudo a partir dos 40 anos, com uma periodicidade de dois em dois
anos, para a prevenção e tratamento atempado da patologia ocular na
mulher. Mulheres diabéticas, hipertensas, que se submeteram a
quimioterapia ou têm história familiar de doenças oculares devem começar
esse acompanhamento o quanto antes. A qualidade de vida e proteção são
as palavras-chave para que a mulher veja o mundo com os olhos sempre
saudáveis.
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