

Um passeio na praia ou na piscina, além de ser muito divertido, pode
trazer alguns imprevistos para as crianças. Não só riscos de se
machucarem, mas também de comprometerem a
visão
pela falta de proteção. Nesta entrevista, o Dr. Luís Alexandre Rassi
Gabriel, especialista em Oftalmologia, chama a atenção dos internautas
para a importância do uso de óculos escuros, de boa qualidade, pelas
crianças. Os danos podem ser severos sem a proteção contra o Sol.
Formado em Medicina pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro,
com residência em Oftalmologia no Centro de Referência em Oftalmologia
da Universidade Federal de Goiás (UFG). Especializou-se em Oftalmopatias
Inflamatórias e Uveítes, Genética Ocular no Cole Eye Institute na
Cleveland Clinic Foundation (CCF) e em Biologia Molecular no Lerner
Research Institute (CCF), e, atualmente, é chefe do Departamento de
Genética Ocular da UFG e do mesmo setor no Centro Brasileiro de Cirurgia
de Olhos.
- Óculos escuros também podem ser usados por crianças?
É cada vez mais frequente vermos
óculos escuros permeando a vida do
público infantil. Desta forma, algumas considerações oftalmológicas
fazem-se imperativas para uma utilização segura e saudável desta prática
relativamente recente.
- Óculos escuros e proteção contra raios ultra-violeta (UV) são sinônimos?
Não. Não são. Pode haver óculos com lentes escuras que não apresentam
proteção contra osraios UV e, em contra-partida, pode haver óculos com
lentes transparentes que apresentam sim proteção contra os raios UV.
- Qual a importância de crianças utilizarem óculos com proteção contra os raios UV?
É sabido que os raios UV, os quais são invisíveis ao olho humano,
podem causar danos cumulativos à saúde ocular predispondo ou mesmo
causando as seguintes condições oculares: fotoceratoconjuntivite
(causando
vermelhidão, lacrimejamento, fotofobia e sensação de areia nos olhos),
pinguécula epterígio (degenerações da conjuntiva ocular provocando o
aparecimento de um tecido amarelado sobre os olhos capaz de crescer por
cima da córnea), catarata (opacificação do cristalino) e também,
degeneração macular da retina a qual pode, em casos extremos, levar à
cegueira irreversível.
- Onde estes raios UV podem ser encontrados?
A principal fonte geradora dos raios UV é o Sol, mas são também
emitidos por soldas elétricas, aparelhos de bronzeamento artificial e
laser.
- Usar óculos escuros sem proteção UV é melhor que não usar nada?
Não, de forma alguma. O uso de óculos escuros sem proteção UV deixa
passar os raios UV, que penetrarão mais nos olhos em função de a pupila
estar mais dilatada. Assim, entre não usar óculos nenhum ou usar óculos
escuros sem proteção UV, é melhor não usar nada.
- Qual o modelo de óculos mais indicado para crianças?
Seriam os óculos com
armações mais flexíveis e ao mesmo tempo
duradouras contendo lentes de policarbonato por serem extremamente
resistentes aos potenciais choques desferidos pelo público infantil,
seja durante brincadeiras ou atividades esportivas. Estas lentes devem
também oferecer bloqueio de 99 a 100% das radiações UV-A e UV-B.
- Há diferença nas cores das lentes?
Sim. Seguem as diferenças:
Verde – Excelente para ambientes com luminosidade moderada.
Marrom – O marrom claro é também para uso interno. O
marrom escuro é para lentes de Sol. Oferece uma visão precisa,
especialmente em condições com um pouco de neblina.
Amarelo – Aprimora a precisão visual em dias
nublados ou com neblinas. É a cor preferida por atiradores de armas de
fogo. Oferece um ótimo contraste visibilidade em condições de pouca
luz.
Rosa e azul - Devem ser reservadas mais para ambientes fechados. Não são muito eficientes em ambientes muito claros.
Cinza – O cinza claro é para uso interno – filtra
sem distorcer as cores. O cinza médio pode ser recomendado para
pacientes com enxaqueca. O cinza escuro é usado para óculos de sol,
sendo excelente para uso externo.
Fonte:
Portal da Oftalmologia